Sexta-feira com um Sol quente capaz de fritar um ovo no asfalto, será que a temperatura ambiente influencia na comunicação dos neurônios. Preciso esfriar o radiador, encontro meus colegas publicitários. Cerveja para todos e um refrigerante para o Parra. Conversam sobre carros, a gostosa que chegou na mesa ao lado e os planos para o final de semana. Todos menos eu. Viro o copo e minha imaginação começa a trabalhar.Antes da aula a professora decide ler o editorial deste mês da revista Superinteressante que cita o trabalho de uma estudante de comunicação social que fez um documentário sobre a rede de TV Al-Jazeera.
Este exemplo serviu para o editor da revista demonstrar como somos "bundões".
Ela enfrentou prenconceitos por uma mulher com culturas e posturas totalmente diferentes e estranhas aos olhos do mundo árabe. Passou por todos esses obstáculos para fazer o seu trabalho.
O objetivo desse editorial é criticar a postura dos atuais e futuros jornalistas.
No bar começo a lembrar o texto, o momento exato que virei meu pescoço na direção as palavras, na mesma rapidez que meu amigo ao lado olha para o carro importado e mais rápido do que a gostosa vira para ver quem pilota aquela maquina vermelha, reluzente e caríssima.
Isso é instinto, olhamos para o que nos interessa e nos alimenta.
Voltando ao editorial, na sala de aula, meus ouvidos viram antenas receptoras, movimentando a cabeça para sintonizar melhor aquela voz. Transformando sons em pensamentos, e chegando a uma única conclusão. Tenho o mesmo pensamento que o autor do texto, vejo falta de interesse, e principalmente poucos traços de paixão pela profissão nos profissionais dessa geração.
Não apenas meus colegas jornalistas, mas também nos médicos, engenheiros, advogados e muitos outros. Gostar de um ofício não é algo que se aprende nos bancos das universidades, pois isso vem junto com o aluno, de dentro.
Não podemos mais ser "bundões" deveria ser o novo slogan da Rede Globo e do Governo Federal. Retorno minhas atenções para a mesa, escuto a tapinha cair na madeira e a espuma subir. Mas minha mente insiste em continuar pensando nos "bundões".
Como o cara que plagiou um blogueiro da comunidade do Orkut "Eu tenho um blog".
Realmente blogueiro sem idéia própria é o fim do mundo. Pessoal se você gostou do artigo, notícia, post, foto, crônica ou uma simples tira de quadrinhos, publiquem e divulgue a fonte.
Tenho certeza que o autor vai ficar lisongeado com a possibilidade de outro autor divulgar seu trabalho.
Para quem quiser comparar clique nos links:
Pelo jeito os "bundões" estão por toda a parte e não apenas no Gugu, BBB e Domingão do Faustão.
A bunda deve aumentar de tamanho de acordo com as horas gastas diante da televisão, sendo assim, levante e viva esse final de semana, tente parar de ser um "bundão" você também.
Profissionais mais preocupados com o resultado final de um trabalho, que com o retorno financeiro que este vai proporcionar, está cada vez mais extinto no Brasil.
Eduardo Vinha
